Dúzia

Monday, November 24, 2008

Da normalidade das coisas

Vivemos numa época em que o normal foi condenado. Ou, em outras palavras, onde o anormal passou a ser considerado normal pelo chamado politicamente correto. E o que quer dizer normal? Segundo o dicionário Priberam, normal vem do Lat. normale, adj. 2 gen., conforme à norma ou à regra comum; que serve de regra, de modelo; exemplar; habitual; ordinário.

Até mesmo constatar a existência do diferente passou a ser condenado, você tem que ver um camelo e concordar (ou tentar convencer a si mesmo de) que se trata de uma ovelha, se é assim que o politicamente correto recomenda. O anormal, o diferente, independente da forma como você o nomear não vai mudar, continuará sendo fora do normal, diferente.

Se você sair na rua e encontrar alguém com pernas na cabeça terá que considerar essa pessoa como sendo normal. Não se trata de aceitar ou não, de discriminar, mas é impossível não reconhecer uma anormalidade quando você a vê. Qualquer outra afirmação é cínica e inverossímel. Muitos ficam arrumando sinônimos bonitinhos para as anormalidades, como se isso resolvesse o problema. Nesse caso deve se tratar de "pessoa com deficiente colocação dos membros motores inferiores". 

Nem vou entrar em casos específicos, mas algo anda muito errado nessa maneira de ver as coisas. Desculpem-me os cínicos, mas a minha verdade não me deixa de ver as coisas dessa forma. Muitas vezes esses falsos paliativos são mais discriminatórios do que ter uma postura sincera e honesta. 

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Tuesday, November 11, 2008

Como nasce a poesia?

Poesia não nasce, ela desperta, é coisa viva, que está dentro de mim. Eu não a escrevo, não formulo, não é um geito ou magia. Ela aparece como as flores num jardim. Não gosto, não desgosto, não percorro caminhos, nem mesmo sei qual é o fim. Ela é leve e flutua, tal qual borbulhas, como bolhas de sabão. Frageis, são intocáveis e, se guardadas, morrem bem na sua mão. Não a defino, nem a confino, trago a luz, como uma oração. Ela é uma graça do destino, no eu deserto, mansidão.

©2008 - Ronaldo Souza

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